
- Nome
- Feirão dos Livros
- Nascimento - Cidade
- 10/05/1932 - São Paulo
Feirão dos Livros
Jair Fernandes Vieira, carinhosamente conhecido como “Seu Jair do Feirão”, nasceu em 1932, em São Paulo. Viveu na capital paulista até 1962, quando decidiu trilhar o caminho da autonomia profissional. A partir dos 30 anos, passou a viajar por diversas cidades do Sudeste brasileiro vendendo coleções de livros técnicos. Esse contato direto com a palavra impressa o encantou de tal maneira que, anos depois, ele optou por seguir vendendo coleções literárias de forma independente. Em 1977, depois de 15 anos percorrendo estradas, chegou a Ituiutaba (MG). Trouxe consigo uma bagagem de livros e o desejo de enraizar seu ofício. Foi assim que nasceu a Casa dos Quadros, que em pouco tempo se transformaria no lendário Feirão dos Livros. No início, além de livros, Jair também vendia discos, vasos de flores e oferecia molduras para quadros. Mas foi a literatura que prevaleceu: livros passaram a ser a essência de seu negócio, sustentados por um sistema generoso e democrático — a troca de dois livros por um, ou a venda sempre pela metade do preço. O Feirão começou modestamente, com cerca de cem livros usados na Avenida 7, onde funcionou por 19 anos. Depois se transferiu para a Rua 22 com 15, permanecendo por sete anos, e em seguida para a Rua 24 com 15, onde ficou por mais quatro. Seu destino final foi a Avenida 31, esquina com a Rua 14, espaço que consolidou sua imagem como um verdadeiro templo popular da leitura. Com o tempo, o acervo cresceu e chegou a mais de 20 mil livros e 3 mil discos de vinil. Entre os corredores estreitos e prateleiras altas, conviviam o clássico e o contemporâneo, o cult e o brega, o trash e o intelectual. O Feirão se tornou ponto de encontro de gerações que descobriam, ali, seu primeiro gibi, um romance de banca ou até mesmo obras raras e universitárias. Sempre atento às mudanças do mundo, “Seu Jair” também aderiu às novas tecnologias. Mesmo crítico à forma como a internet e os jogos eletrônicos afastavam parte da juventude dos livros, abriu espaço na Estante Virtual, plataforma online em que disponibilizou mais de dois mil exemplares e vendeu para várias partes do Brasil. Jair acreditava que o livro nunca perderia sua força diante do digital, e sua própria história provava isso. Muitos jovens tiveram o primeiro contato com a literatura graças ao Feirão, seja comprando gibis, romances Julia e Sabrina, ou trocando volumes por outros. O boca a boca e seus tradicionais calendários-marcadores foram, durante décadas, sua principal forma de divulgação. Aposentado como autônomo, continuou até o fim de sua vida dedicado à difusão da leitura. Faleceu em 2017, deixando para trás um legado de afeto, memória e cultura impressa. Hoje, lembrar-se de “Seu Jair do Feirão” é recordar o poder transformador dos livros e de como um homem simples, apaixonado pela palavra escrita, marcou a história cultural de Ituiutaba. Sua trajetória prova que o acesso à leitura pode nascer do gesto generoso de um livreiro que acreditava que os sonhos mais nobres podiam ser trocados — dois por um.












